Faltando poucos dias para a cerimônia do Oscar 2026, o Brasil vive um fenômeno raro no audiovisual: um clima de torcida coletiva semelhante ao de uma final de Copa do Mundo. Bares, cinemas e cineclubes em várias cidades organizam transmissões da premiação, bolões e sessões especiais para acompanhar a maior noite do cinema mundial, marcada para domingo (15).
Se em Hollywood o prêmio promovido pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences é marcado por estratégias de campanha e marketing dos estúdios, no Brasil ele ganhou contornos populares. Nas redes sociais, memes e correntes de torcida reforçam a mobilização em torno do cinema nacional.
O entusiasmo lembra o que ocorreu no ano passado com Ainda Estou Aqui, vencedor da categoria de Melhor Filme Internacional.
“O Agente Secreto” lidera expectativa brasileira
O centro das atenções agora é O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura.
O longa chega ao Oscar 2026 com indicações importantes:
- Melhor Filme
- Melhor Filme Internacional
- Melhor Ator
Mesmo concorrendo com superproduções de Hollywood, o filme brasileiro lidera a bilheteria entre os indicados ao prêmio principal, com mais de 2,4 milhões de ingressos vendidos e arrecadação superior a R$ 50 milhões, segundo dados do portal especializado Filme B.
Entre os dez indicados a Melhor Filme, também é o longa de menor orçamento, fator que torna sua trajetória ainda mais simbólica.
Exibições coletivas crescem pelo país
Em várias cidades brasileiras, o público pretende acompanhar a cerimônia de forma coletiva. No Rio de Janeiro, o produtor e exibidor Cavi Borges organiza novamente uma grande transmissão.
O evento acontecerá nos cinemas Estação Net Rio e Estação Net Botafogo, com programação que inclui:
- bolão de apostas sobre os vencedores
- quiz cinéfilo
- concurso de sósias de Wagner Moura
- transmissão simultânea em várias salas
Segundo Borges, a iniciativa começou de forma modesta há mais de duas décadas e ganhou grande dimensão nos últimos anos, especialmente após o sucesso do cinema brasileiro nas premiações internacionais.
Fenômeno ajuda a aproximar público do cinema nacional
Para produtores e exibidores, o interesse em torno de O Agente Secreto tem ajudado a atrair novos espectadores para o chamado cinema de arte.
O Brasil produz cerca de 300 filmes por ano, mas apenas uma pequena parcela chega ao grande público. Quando um título nacional ganha destaque internacional, ele funciona como porta de entrada para que espectadores descubram outras produções brasileiras.
Disputa internacional segue aberta
Apesar da mobilização brasileira, a disputa pelo Oscar 2026 segue imprevisível. Veículos especializados nos Estados Unidos apontam Pecadores, de Ryan Coogler, como possível favorito da noite.
Na categoria de atuação, nomes como Timothée Chalamet e Michael B. Jordan também aparecem entre os principais concorrentes.
Enquanto isso, o Brasil deposita suas expectativas em Wagner Moura, que chega à premiação com forte reconhecimento internacional após vencer o Golden Globe Awards.
Cinema brasileiro ganha projeção global
Para Kleber Mendonça Filho, a presença de O Agente Secreto na premiação representa mais do que reconhecimento artístico. O diretor define o momento como uma forma de “soft power” brasileiro, capaz de projetar a cultura e a identidade do país no cenário internacional.
Independentemente do resultado da cerimônia, a mobilização em torno do filme mostra que o cinema brasileiro vive um momento raro: voltar ao centro da conversa mundial e despertar orgulho coletivo no público nacional.




