Como explicar que um clube do tamanho do São Paulo estreie no Campeonato Paulista de forma tão distante de sua história? A derrota por 3 a 0 para o Mirassol não foi apenas um resultado negativo, mas um retrato fiel de um time que entrou em campo sem foco, intensidade e senso de urgência.
Desde os primeiros minutos, o São Paulo demonstrou apatia preocupante. O gol sofrido logo aos seis minutos evidenciou a falta de concentração defensiva e a passividade na marcação. Em jogos de estreia, especialmente fora de casa, postura competitiva é tão essencial quanto qualidade técnica.
O segundo gol, originado de um erro na saída de bola e culminando em um gol contra, escancarou desorganização coletiva. A equipe parecia desconectada, sem coordenação entre setores e sem liderança capaz de reorganizar o time em campo diante da adversidade.
Mesmo com maior posse de bola ao longo do primeiro tempo, o Tricolor foi estéril. Posse sem objetividade pouco significa, e o São Paulo não criou chances claras, confirmando que controlar a bola não é sinônimo de controlar o jogo.
Na etapa final, a tentativa de reação esbarrou na baixa efetividade ofensiva. As poucas finalizações perigosas surgiram de jogadas individuais, não de construção coletiva, reforçando a ideia de um time mal treinado e sem padrão definido.
A expulsão de Maik, já na reta final, simbolizou o descontrole emocional. Quando a parte mental falha, a técnica sofre. Jogadores desconcentrados tendem a tomar decisões precipitadas, agravando um cenário já desfavorável.
Sob a ótica histórica, o resultado é emblemático. O São Paulo sempre se notabilizou por estreias sólidas e competitivas. Ver o clube iniciar o Paulistão na 14ª colocação fere sua tradição e acende alertas internos.
Há também responsabilidade administrativa. Elenco, comissão técnica e planejamento são frutos de decisões de gestão. A falta de intensidade e padrão tático reflete escolhas que vão além das quatro linhas.
Criticar não é desmerecer. É exigir coerência com a grandeza do clube. O torcedor aceita derrotas, mas não a ausência de entrega e comprometimento.
Se este jogo entrar para a história, que seja como ponto de inflexão. O São Paulo precisa reagir rápido, resgatar sua identidade competitiva e lembrar que camisa pesada exige atitude desde o primeiro minuto.




