Após a derrota do São Paulo por 3 a 0 para o Mirassol, na estreia do Campeonato Paulista, o técnico Hernán Crespo concedeu uma coletiva marcada por declarações fortes e reflexões sobre o momento delicado vivido pelo clube, tanto dentro quanto fora de campo. Em meio a um cenário político conturbado, o argentino adotou um tom firme, evitou julgamentos e reforçou confiança no trabalho e na instituição.
Postura cautelosa sobre o cenário político
Questionado sobre a crise nos bastidores, Crespo deixou claro que não pretende entrar em debates políticos, destacando que sua função é proteger o elenco e o São Paulo Futebol Clube como instituição. O treinador citou as investigações em andamento e o processo de impeachment do presidente Julio Casares, que será votado na próxima sexta-feira (16), mas afirmou confiar na Justiça.
“É um momento muito sensível. Tenho obrigação de cuidar e proteger o time e o São Paulo. No fim do dia, o São Paulo é maior que todos nós juntos”, afirmou.
Crespo também revelou que mantém diálogo com a diretoria sobre a necessidade de reforços, ressaltando que o elenco perdeu peças importantes e precisa de reposições para encarar uma temporada longa e desgastante.
“Falo com a diretoria que precisamos de reforços. Foram embora muitos jogadores e não temos como pensar em enfrentar toda a temporada com poucos atletas. A diretoria sabe disso e está trabalhando”, explicou.
Confiança na Justiça e blindagem do elenco
O treinador reforçou que acompanha o desenrolar das investigações com serenidade e defendeu o princípio da presunção de inocência, pedindo que os jogadores sejam preservados do ambiente externo.
“Acredito na Justiça. A Polícia está trabalhando, ainda não tem culpados. Até prova contrária, todos são inocentes. Os atletas têm que estar blindados. É difícil? Muito difícil, mas precisamos manter esse problema fora do campo”, disse.
Declaração forte sobre o momento do clube
Ao ser questionado sobre a pressão da torcida e o clima de instabilidade, Crespo fez uma das declarações mais marcantes da entrevista, afastando qualquer discurso de abandono ou colapso institucional.
“O São Paulo não está abandonado. O São Paulo não morreu. Parece que estava um defunto ali, mas não é assim. É um momento sensível, claro, muito difícil, mas tem muita gente aqui colocando a cara e trabalhando todos os dias”, afirmou.
O técnico ainda destacou que há profissionais comprometidos e honestos no clube, que lutam para recolocar o Tricolor no caminho das grandes conquistas.
“Não é todo mundo ruim aqui. Tem gente sincera, honesta, que vai fazer o melhor para ajudar o São Paulo a voltar aos tempos que todo mundo lembra”, completou.
Próximos desafios
Dentro de campo, o São Paulo busca reação imediata. O Tricolor volta a jogar na quinta-feira (15), às 21h45, contra o São Bernardo, no Morumbis, em sua estreia como mandante no Paulistão. Já na sexta-feira (16), fora das quatro linhas, o clube viverá um dia decisivo com a votação do impeachment presidencial pelo Conselho Deliberativo.
Entre pressão esportiva e turbulência política, Crespo tenta manter o elenco focado e passa uma mensagem clara: o São Paulo segue vivo.




