Julio Casares renunciou à presidência do São Paulo Futebol Clube nesta quarta-feira (21), após ter sido afastado do cargo pelo Conselho Deliberativo na última sexta-feira, em São Paulo. O anúncio foi feito por meio de uma carta aberta divulgada nas redes sociais, encerrando formalmente o mandato após a primeira etapa do processo de impeachment instaurado no clube.
O dirigente havia sido submetido, cinco dias antes, à votação inicial do Conselho, que resultou em seu afastamento temporário. O processo foi aberto em meio a investigações em andamento na Justiça, que apuram possíveis irregularidades financeiras, incluindo suspeitas de desvios de recursos e saques considerados atípicos em contas da instituição.
Desde o final do ano passado, quando o pedido de impeachment foi protocolado, o ambiente político no clube passou por crescente tensão. De acordo com apurações internas, integrantes ligados ao então presidente defenderam que a renúncia seria uma alternativa institucional ao prolongamento do processo, posição que não foi aceita inicialmente por Casares.
Com o avanço das discussões e a consolidação do afastamento, a possibilidade de renúncia passou a ser debatida também entre membros da Situação, grupo político que sustentava a gestão. O afastamento ocorreu com 188 votos favoráveis no Conselho Deliberativo, o que levou à assunção interina do vice-presidente.
Pelo estatuto, ainda estava prevista a convocação de uma Assembleia Geral, em até um mês, para confirmar ou não a destituição definitiva. Nesse intervalo, ganhou força a avaliação de que a renúncia encerraria o processo administrativo. Pessoas próximas ao dirigente também citaram questões de saúde como um dos fatores considerados na decisão.
Paralelamente, o Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar possível gestão temerária no clube. A investigação, conduzida pela Promotoria do Patrimônio Público e Social da Capital, busca verificar se eventuais irregularidades administrativas contribuíram para o aumento do endividamento e para prejuízos ao patrimônio da instituição.
Com a formalização da renúncia, a presidência do São Paulo passa a ser exercida de forma definitiva pelo vice-presidente Harry Massis, conforme previsto no estatuto social do clube.










