O Brasil se prepara para assumir papel de destaque na Hannover Messe, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo, que ocorrerá entre 20 e 24 de abril, na cidade de Hannover, no norte da Alemanha. Escolhido como país parceiro da edição de 2026, o Brasil apresentará tecnologias industriais, soluções digitais e projetos de energia limpa por meio de mais de 140 expositores e uma delegação empresarial robusta, com o objetivo de ampliar oportunidades de negócios e fortalecer a imagem do país como polo de inovação tecnológica. As informações são da Agência Brasil.
A expectativa da organização é reunir cerca de 123 mil visitantes e 3,5 mil expositores de aproximadamente 60 países, transformando o evento em um dos maiores encontros globais voltados à indústria do futuro. Para o Brasil, a participação representa uma vitrine estratégica para demonstrar capacidade tecnológica em setores que vão da inteligência artificial à transição energética.
A edição de 2026 também contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do chanceler alemão Friedrich Merz, reforçando o caráter diplomático e econômico da parceria entre os dois países.
Brasil retorna ao status de país parceiro após mais de quatro décadas
A participação brasileira como país parceiro da Hannover Messe marca um momento histórico. A última vez que o Brasil ocupou essa posição foi em 1980, justamente no início da tradição da feira de selecionar um país para ocupar papel central na programação.
Quase meio século depois, o retorno ocorre em um contexto completamente diferente: a indústria global passa por uma rápida transformação impulsionada pela digitalização, automação e pela necessidade de descarbonizar processos produtivos. Nesse cenário, o Brasil busca apresentar suas competências industriais e tecnológicas para ampliar a presença em mercados internacionais.
Como parceiro oficial, o país terá pavilhões que somam aproximadamente 2,7 mil metros quadrados dentro do complexo da feira. Esse espaço concentrará empresas, startups e instituições que irão apresentar produtos, soluções tecnológicas e pesquisas aplicadas à indústria.
A coordenação da participação brasileira está a cargo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, responsável por estruturar a presença do país e promover a aproximação entre empresas brasileiras e investidores estrangeiros.
Feira reúne gigantes globais da tecnologia e da indústria
A Hannover Messe é reconhecida por concentrar empresas líderes em inovação industrial. Entre os participantes confirmados estão companhias multinacionais como Amazon Web Services, Bosch, Siemens, SAP, Microsoft, Huawei e Accenture.
Durante cinco dias de programação, o evento apresentará tecnologias voltadas para inteligência artificial, robótica, automação industrial, digitalização de processos, defesa tecnológica e descarbonização da economia. A feira também funciona como um ambiente de networking para parcerias comerciais, cooperação científica e transferência de tecnologia entre empresas e centros de pesquisa.
Segundo o diretor-executivo da organizadora do evento, Jochen Köckler, o Brasil foi escolhido por seu potencial econômico e tecnológico. Para ele, o país reúne características estratégicas para a nova fase da indústria global.
“O Brasil é a maior economia da América do Sul. É um país jovem, digital e com empresas altamente desenvolvidas”, afirmou o executivo ao comentar os motivos da escolha.
Delegação brasileira reúne grandes empresas e startups
A presença brasileira na Hannover Messe será composta por uma delegação empresarial com cerca de 300 empresas, incluindo grandes companhias industriais e startups tecnológicas com alto potencial de crescimento.
Entre os destaques estão empresas consolidadas da indústria nacional, como a Embraer, referência mundial na fabricação de aeronaves, e a WEG, uma das principais produtoras globais de motores elétricos e equipamentos industriais.
Além das grandes empresas, aproximadamente 60 startups brasileiras terão espaço para apresentar soluções tecnológicas voltadas à indústria, ampliando a diversidade de inovação dentro da delegação.
A curadoria das empresas participantes foi realizada pela ApexBrasil, que também promoveu programas de capacitação para preparar os expositores brasileiros para o ambiente internacional de negócios.
Energia limpa e transição energética como vitrines do país
Entre os temas que o Brasil pretende destacar na feira está a transição energética, área em que o país possui experiência consolidada.
Um dos pavilhões brasileiros será dedicado a empresas e projetos voltados para energias renováveis, biocombustíveis e eletrificação industrial. Ao todo, cerca de 30 companhias atuarão nesse espaço, apresentando tecnologias relacionadas à produção sustentável de energia.
De acordo com especialistas da ApexBrasil, o Brasil possui vantagens competitivas relevantes nesse campo. O país é um dos principais produtores mundiais de biocombustíveis, além de ter desenvolvido tecnologias pioneiras, como o sistema flex fuel, que permite o uso de diferentes combustíveis em veículos.
Essa experiência acumulada ao longo de décadas pode se transformar em uma oportunidade estratégica em um momento em que diversos países buscam reduzir emissões de gases de efeito estufa no setor de transporte e na indústria.
Reforço da imagem do Brasil como economia inovadora
Para os organizadores da participação brasileira, a Hannover Messe também representa uma oportunidade de reposicionar a imagem internacional do país.
Segundo representantes da ApexBrasil, ainda existe no exterior uma percepção limitada do Brasil, frequentemente associada apenas ao agronegócio, ao turismo e ao futebol. A presença na feira busca ampliar essa narrativa e evidenciar a capacidade tecnológica da indústria nacional.
Além da exposição tecnológica, a participação brasileira inclui uma série de encontros institucionais, reuniões empresariais e debates voltados à cooperação internacional em inovação e indústria.
Inovação, exportação e impacto econômico
Autoridades brasileiras destacam que a internacionalização da indústria e o aumento das exportações estão diretamente ligados à inovação tecnológica.
Empresas que atuam no comércio exterior tendem a investir mais em pesquisa, desenvolvimento e modernização produtiva. Esse processo cria um ciclo econômico positivo que pode gerar empregos mais qualificados e ampliar a competitividade da economia.
Para representantes do governo e do setor empresarial, a Hannover Messe pode funcionar como um catalisador desse processo ao conectar empresas brasileiras com investidores, parceiros tecnológicos e novos mercados.
Parceria Brasil-Alemanha e cooperação industrial
A participação brasileira na feira também reforça a cooperação econômica entre Brasil e Alemanha, dois países que mantêm relações comerciais históricas e fortes vínculos industriais.
Durante a apresentação da participação brasileira para jornalistas internacionais, o embaixador do Brasil na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, destacou que os dois países compartilham valores democráticos e desafios comuns na modernização industrial.
Segundo ele, a presença brasileira na Hannover Messe permitirá demonstrar a capacidade da indústria nacional de desenvolver soluções tecnológicas para diferentes setores produtivos.
A expectativa é que o evento fortaleça parcerias industriais e estimule novos investimentos, ampliando a cooperação tecnológica entre empresas brasileiras e europeias.
Oportunidade estratégica para a indústria brasileira
Ao assumir o protagonismo na Hannover Messe 2026, o Brasil busca consolidar sua posição como um ator relevante no cenário global da inovação industrial.
A presença de empresas consolidadas, startups e instituições de pesquisa demonstra a diversidade do ecossistema tecnológico nacional e abre caminho para novas oportunidades de negócios.
Mais do que uma vitrine tecnológica, o evento representa uma chance de reforçar a integração do Brasil às cadeias globais de inovação, em um momento em que a indústria mundial passa por transformações profundas impulsionadas pela digitalização e pela transição energética.










