A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou um novo medicamento para o tratamento de crises focais em adultos com Epilepsia farmacorresistente no Brasil. O fármaco Xcopri, desenvolvido pela Momenta Farmacêutica, é indicado para pacientes que continuam apresentando crises epilépticas mesmo após o uso de pelo menos dois tratamentos diferentes.
A decisão regulatória representa um avanço no tratamento da doença, especialmente para pessoas com epilepsia de difícil controle. Estudos clínicos indicam que o medicamento atua reduzindo a atividade elétrica anormal no cérebro, o que pode diminuir significativamente a frequência das crises epilépticas.
Medicamento mostrou resultados relevantes em estudos clínicos
De acordo com dados avaliados pela Anvisa, o cenobamato apresentou resultados expressivos nos ensaios clínicos realizados com pacientes adultos.
Entre os participantes que receberam 100 miligramas por dia, cerca de 40% tiveram redução de pelo menos 50% na frequência das crises. Já entre aqueles que utilizaram 400 miligramas diários, o percentual de melhora chegou a 64%.
Em comparação, apenas 26% dos pacientes que receberam placebo apresentaram redução semelhante na frequência dos episódios durante o estudo.
Esses resultados reforçam o potencial terapêutico do medicamento para pacientes que não respondem adequadamente às opções de tratamento atualmente disponíveis.
Venda depende da definição de preço no país
Apesar da aprovação regulatória, o medicamento ainda não está disponível no mercado brasileiro.
Para que a comercialização seja iniciada, é necessário que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos defina o preço máximo de venda do produto no país.
Além disso, a eventual oferta do medicamento pelo Sistema Único de Saúde dependerá de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde e de uma decisão posterior do Ministério da Saúde.
Esse processo avalia fatores como custo-benefício, impacto orçamentário e eficácia clínica antes da inclusão de novas terapias na rede pública.
Entenda o que é a epilepsia
A Epilepsia é um distúrbio neurológico caracterizado por alterações temporárias e reversíveis no funcionamento do cérebro. As crises epilépticas ocorrem quando há descargas elétricas anormais em determinadas regiões cerebrais.
Durante esses episódios, que podem durar alguns segundos ou minutos, o cérebro envia sinais incorretos que podem afetar apenas uma região ou se espalhar por ambos os hemisférios cerebrais.
Quando a atividade anormal permanece restrita a uma área específica, a crise é chamada de crise parcial ou focal. Já quando envolve os dois hemisférios do cérebro, ela é classificada como crise generalizada.
O diagnóstico costuma ser feito de forma clínica, a partir de avaliação médica detalhada, histórico do paciente e descrição dos episódios por testemunhas. Exames neurológicos e psiquiátricos também auxiliam na confirmação do quadro.
Entre os sinais que podem ajudar na investigação está a chamada aura, um tipo de crise em que o paciente permanece consciente, mas percebe alterações sensoriais ou comportamentais antes de episódios mais intensos.
Março Roxo reforça conscientização sobre a doença
A aprovação do medicamento ocorre durante o Março Roxo, período dedicado à conscientização sobre a epilepsia. A campanha inclui o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, celebrado em 26 de março.
A iniciativa busca ampliar o conhecimento da população sobre a doença, combater o estigma social e incentivar o diagnóstico e tratamento adequados.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 65 milhões de pessoas vivem com epilepsia no mundo.
No Brasil, estima-se que mais de 2 milhões de pessoas convivam com a condição, de acordo com dados da Liga Brasileira de Epilepsia.
Especialistas apontam avanço para casos graves
Para especialistas da área neurológica, a aprovação do cenobamato representa uma nova alternativa terapêutica para pacientes com epilepsia resistente aos tratamentos tradicionais.
A neurologista Juliana Passos, integrante da diretoria da Liga Brasileira de Epilepsia, destaca que a nova medicação pode ampliar as possibilidades de controle das crises em casos mais complexos.
Segundo a especialista, os resultados obtidos nos estudos indicam desempenho superior ao de outros medicamentos recentes utilizados para controle das crises epilépticas.
Para pacientes com epilepsia farmacorresistente, que frequentemente enfrentam limitações na vida cotidiana e maior risco de complicações, a chegada de novas terapias representa uma esperança concreta de melhora na qualidade de vida.




