O clássico começou com um roteiro previsível: pressão intensa do Corinthians, marcação alta e o São Paulo empurrado para trás. Mas a pergunta que ficou foi simples e incômoda: quantos jogos o Tricolor tem perdido sem ser inferior em campo? A resposta passa, mais uma vez, por detalhes.
Nos primeiros minutos, o São Paulo sofreu com a blitz corintiana, especialmente pelo corredor esquerdo. A defesa foi exigida, Rafael trabalhou bem, e houve erros pontuais, como o de Arboleda, que quase custaram caro. Ainda assim, o time resistiu sem se desorganizar.
Com o passar do tempo, a equipe de Hernán Crespo ajustou a saída de bola e equilibrou a posse. Danielzinho passou a participar mais, encurtando o campo e dando critério às transições. O domínio territorial do Corinthians foi perdendo intensidade.
O gol tricolor nasceu justamente dessa leitura correta do jogo. A troca de passes foi limpa, o cruzamento preciso e a movimentação de Tapia exemplar. Foi uma jogada trabalhada, que premiou quem teve paciência e execução.
Após abrir o placar, o São Paulo optou por uma postura mais cautelosa. Não foi covardia, mas estratégia. As linhas baixaram, o bloco ficou compacto e o Corinthians passou a apostar em bolas alçadas e jogadas previsíveis.
Defensivamente, o Tricolor se comportou bem durante quase todo o segundo tempo. Neutralizou o jogo apoiado do rival, forçou erros e viu o adversário demonstrar nervosismo e baixa criatividade no último terço.
A bola parada seguiu como principal ameaça, mas mesmo nela o São Paulo respondeu com atenção e boas intervenções de Rafael. O controle emocional e tático era visível, reforçando a sensação de jogo sob domínio.
O problema foi o relógio. Aos 44 minutos, uma falha de encaixe defensivo permitiu a tabela que terminou no gol de Breno Bidon. Um vacilo pontual, em um jogo praticamente resolvido.
O empate não apaga o desempenho. Pelo contrário: evidencia um São Paulo competitivo, organizado e com identidade. Faltou apenas o ajuste fino para fechar partidas grandes.
Se há algo a corrigir, é a gestão dos minutos finais. O futebol apresentado aponta evolução clara. Transformar boas atuações em vitórias será o próximo passo para consolidar o trabalho.










