A ministra da Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que ampliar a presença e a visibilidade das mulheres na ciência é um dos principais desafios para o avanço da pesquisa no país. As informações são da Agência Gov.
Em entrevista ao programa A Voz do Brasil nesta quarta-feira (11), a ministra destacou que, embora as mulheres sejam maioria no início da carreira científica, a participação feminina diminui nos níveis mais altos da pesquisa.
“A ciência é feminina e a gente precisa garantir essa visibilidade, inclusive porque temos muitas mulheres de destaque na ciência e tecnologia brasileira”, afirmou.
Segundo ela, essa redução ocorre por fatores sociais e estruturais que dificultam a permanência das pesquisadoras, especialmente após a maternidade.
“Efeito tesoura” reduz presença feminina na carreira científica
Luciana Santos explicou que o fenômeno é conhecido como efeito tesoura, que descreve a queda progressiva da participação feminina à medida que a carreira acadêmica avança.
De acordo com dados citados pela ministra:
- mulheres representam mais de 64% dos participantes da iniciação científica;
- no topo da carreira, em produtividade e liderança, a presença feminina cai para cerca de 35%.
Esse cenário reflete obstáculos como a chamada dupla ou tripla jornada, com responsabilidades familiares e profissionais que recaem majoritariamente sobre as mulheres.
Para enfrentar esse problema, o governo tem adotado medidas que incluem mudanças em editais de pesquisa e regras de financiamento.
Políticas buscam ampliar participação feminina na ciência
Entre as iniciativas citadas pela ministra está a Política de Empoderamento das Meninas e Mulheres na Ciência, que busca incorporar critérios de equidade de gênero em programas e financiamentos de pesquisa.
As medidas incluem:
- inclusão de recorte de gênero em editais científicos;
- premiações e seminários voltados à participação feminina;
- mudanças nas regras do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para considerar períodos de maternidade na avaliação de produtividade;
- incentivo à participação feminina em programas de inovação e empreendedorismo.
A política lançada no mês dedicado às mulheres também pretende consolidar equidade de gênero, raça e diversidade como eixo permanente das políticas científicas do país.
Programa incentiva meninas desde o ensino médio
Outro destaque citado pela ministra é o programa Futuras Cientistas, voltado a estudantes do ensino médio, especialmente de escolas públicas.
A iniciativa oferece experiências em laboratórios e atividades científicas, acompanhando as alunas desde o início do ensino médio até o ingresso na universidade.
Criado em 2012, o programa ganhou alcance nacional em 2022, passando a atender estudantes em todos os estados brasileiros.
Segundo o ministério, os resultados são expressivos:
- 80% das participantes aprovadas no Enem ingressam na universidade;
- mais de 70% escolhem cursos nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia ou matemática.
Luciana Santos afirmou que o programa ajuda a quebrar barreiras culturais que ainda afastam meninas de áreas como tecnologia da informação e engenharia.
Diversidade melhora qualidade da produção científica
A ministra também defendeu que ampliar a diversidade no ambiente científico contribui diretamente para a qualidade da pesquisa.
Segundo ela, diferentes perspectivas enriquecem o processo de produção do conhecimento e fortalecem a inovação.
“Diversidade leva à excelência na pesquisa”, destacou.
Luciana Santos lembrou ainda que a presença feminina em cargos de liderança vem crescendo em instituições científicas, embora ainda não tenha alcançado a paridade.
A própria ministra destacou que sua nomeação marca um momento histórico: ela é a primeira mulher a ocupar o comando do Ministério da Ciência e Tecnologia desde a criação da pasta, há mais de quatro décadas.
Para a ministra, garantir visibilidade às cientistas também é uma forma de inspirar novas gerações.
“A gente quer que as meninas se vejam nesses espaços e pensem: eu também posso estar na ciência”, concluiu.




