O Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar indícios de possível gestão temerária no São Paulo Futebol Clube, com foco em eventuais reflexos no endividamento da instituição. O procedimento foi aberto no dia 7 de janeiro pela Promotoria do Patrimônio Público e Social da Capital e busca verificar se atos administrativos podem ter causado prejuízos a interesses coletivos ligados ao patrimônio do clube.
O inquérito prevê prazo inicial de 30 dias para coleta de provas e análises preliminares que irão embasar a decisão sobre o prosseguimento ou eventual arquivamento do procedimento. A apuração tem caráter investigativo e não implica, neste momento, responsabilização formal dos envolvidos.
Entre as diligências previstas, o Ministério Público deve ouvir dirigentes e ex-dirigentes do São Paulo. Estão listados para possíveis oitivas o presidente Julio Casares, Mara Casares e Douglas Schwartzmann, citados em investigações relacionadas à comercialização irregular de camarotes, além de Roberto Armelin, diretor de compliance, Pedro Sansão Leite, presidente do Conselho Fiscal, Dedé, diretor social, Sérgio Pimenta, diretor-executivo de finanças, Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, e ex-dirigentes como Carlos Belmonte. Os nomes mencionados podem ser chamados na condição de testemunhas, sem que isso represente acusação formal.
O contexto da investigação ocorre em meio a um período de instabilidade institucional no clube em 2025, marcado por denúncias envolvendo a atual gestão. Entre os pontos sob apuração paralela, estão movimentações financeiras atribuídas ao presidente Julio Casares, incluindo depósitos em espécie que somam R$ 1,5 milhão entre janeiro de 2023 e maio de 2025, atualmente analisados pela Polícia Civil.
Outro dado citado nas investigações indica que, entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, foram realizados saques em dinheiro que totalizam R$ 11 milhões das contas do São Paulo, distribuídos em 35 operações. Casares foi eleito presidente no final de 2020 e assumiu o cargo no início de 2021, período que coincide com as movimentações apontadas.
Conselho Deliberativo vota impeachment do presidente
Paralelamente ao inquérito, o Conselho Deliberativo do São Paulo votará nesta sexta-feira (16) o pedido de impeachment do presidente Julio Casares. A reunião será realizada no estádio do Morumbis e seguirá um novo modelo de votação aprovado por edital recente.
Pelas regras atualizadas, o quórum presencial permanece em 75% dos conselheiros, mas a aprovação do impeachment passa a exigir dois terços do total de membros, o equivalente a 171 votos favoráveis. O novo formato também autoriza a participação por meio de votação online, mudança em relação ao modelo anterior, que exigia votação exclusivamente presencial e um número maior de votos para a destituição.




