A derrota por 1 a 0 para o Remo, no Mangueirão, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, representou mais do que a perda de três pontos para o São Paulo. O resultado ampliou para cinco jogos a sequência sem vitórias da equipe e evidenciou problemas que vêm se repetindo nas últimas semanas, especialmente na construção ofensiva e na capacidade de transformar superioridade territorial em resultados.
Mesmo atuando fora de casa, o São Paulo entrou em campo diante de um adversário que ocupava a parte inferior da tabela e, por isso, carregava a responsabilidade de assumir o protagonismo da partida. Em alguns momentos conseguiu controlar a posse de bola e ditar o ritmo do jogo, mas novamente encontrou dificuldades para converter esse domínio em oportunidades claras de gol.
O primeiro tempo mostrou uma equipe relativamente organizada, mas excessivamente dependente de ações individuais. Artur foi praticamente o único jogador capaz de criar desequilíbrios na defesa adversária, seja através de velocidade, infiltrações ou finalizações. As melhores chances do Tricolor passaram por seus pés, enquanto o restante do setor ofensivo teve participação discreta.
A atuação do goleiro Ivan também merece destaque, mas seria simplista atribuir a derrota apenas ao bom desempenho do arqueiro do Remo. O São Paulo finalizou pouco para quem precisava vencer e, durante boa parte da partida, demonstrou dificuldades para encontrar soluções coletivas diante de uma defesa bem posicionada.
Na segunda etapa, o jogo se tornou ainda mais truncado. O time comandado por Dorival Júnior perdeu intensidade, reduziu a velocidade na troca de passes e encontrou menos espaços para atacar. As substituições deram novo fôlego físico à equipe, mas não alteraram significativamente a dinâmica ofensiva.
A chance desperdiçada por Ferreira em um contra-ataque e a cabeçada de Calleri para fora nos minutos finais simbolizam um problema recorrente: a falta de eficiência nos momentos decisivos. Em partidas equilibradas, aproveitar as poucas oportunidades criadas costuma ser determinante para o resultado final.
Defensivamente, o São Paulo não sofreu grande pressão durante a maior parte do confronto. No entanto, voltou a apresentar dificuldades para administrar os minutos finais. A equipe permitiu que o Remo crescesse na reta decisiva da partida e acabou sendo punida nos acréscimos com o gol de Marcelinho.
O resultado também levanta questionamentos sobre a evolução do setor criativo. O meio-campo encontrou dificuldades para acelerar as jogadas e conectar os atacantes. Sem fluidez na construção, o time passou a depender excessivamente de lançamentos, bolas paradas e iniciativas individuais para gerar perigo.
Na tabela, a queda para a oitava colocação aumenta a pressão sobre a equipe para a sequência da temporada. Mais preocupante do que a posição atual é a sensação de estagnação apresentada pelo desempenho recente. O São Paulo continua competitivo defensivamente, mas tem produzido menos do que o esperado no ataque.
A derrota para o Remo reforça que o principal desafio de Dorival Júnior durante a pausa do calendário será encontrar mecanismos que tornem o time mais criativo e eficiente. Enquanto a equipe não resolver seus problemas ofensivos, continuará encontrando dificuldades para transformar controle de jogo em vitórias, independentemente da qualidade do adversário.
Por J. Santos Aiória




